Banco Mundial diz que Quênia poderia ter economizado até US$ 900 milhões em ferrovia construída pela China
A ferrovia de bitola padrão Mombaça-Nairóbi custou ao Quênia US$ 7,6 milhões por quilômetro, contra US$ 5,7 milhões da linha eletrificada mais nova da Tanzânia, disse o Banco Mundial em 4 de novembro. Ao preço tanzaniano, teria custado até US$ 900 milhões a menos, e o banco atribui ao menos 30% da diferença a compras públicas e negócios com terras.

Os números estão na 34ª edição do relatório Kenya Economic Update. A linha a diesel do Quênia entre Mombaça e Nairóbi, construída de 2014 a 2017, saiu por cerca de 988 milhões de xelins por quilômetro, informou o Business Daily. A linha eletrificada da Tanzânia entre Dar es Salaam e Dodoma custou US$ 5,7 milhões por quilômetro, e a eletrificada entre Djibuti e Adis Abeba, US$ 5,3 milhões. O Nairobi Wire calculou o sobrepreço queniano em 33% sobre a referência tanzaniana, ou de 116 bilhões a 117 bilhões de xelins em todo o traçado.
Pelo menos 30% dessa economia possível, cerca de US$ 270 milhões, vêm de falhas de governança, segundo o banco: contrato adjudicado diretamente, sem licitação, especulação com terras ao longo do traçado e suspeita de fraude em títulos, avaliações e indenizações de terrenos. Empréstimos do China Exim Bank pagaram a linha, e a China Road and Bridge Corporation a construiu, lembrou o Business Daily. O relatório ressalva que o número estima o que poderia ter sido economizado e não prova que houve desvio nem que o dinheiro possa ser recuperado.
O banco também aponta os limites da comparação. A ferrovia queniana é a única das três sem eletrificação, que acrescenta custo de infraestrutura às outras duas. O traçado etíope sobe cerca de 2.300 metros, contra uns 1.600 do queniano. A Tanzânia construiu depois, de 2017 a 2024, e com especificação superior. A desapropriação de terras custou muito mais ao Quênia, mas isso não explica toda a diferença, concluiu o banco.
No ano passado, o Quênia estendeu o prazo dos empréstimos chineses até 2040. Agora quer levar a linha de Naivasha, passando por Kisumu, até a cidade fronteiriça de Malaba sem dinheiro chinês, com títulos lastreados na taxa ferroviária, informou o Business Daily.
Por que importa: O Banco Mundial pôs preço por quilômetro no que uma contratação direta e negócios sujos com terras acrescentam a uma megaobra. Empresas de olho na extensão até Malaba, financiada por títulos, já sabem a referência de US$ 5,7 milhões que servirá de comparação.
Fontes
- World Bank says Kenya overpaid Sh117bn for Mombasa-Naivasha SGRBusiness Daily, 4 de nov.
- Kenya Could Have Saved KSh117 Billion on SGR, World Bank Report ShowsNairobi Wire, 4 de nov.