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Defesas contra cheias do Peru, muitas ainda inacabadas, enfrentam um super El Niño

Os rios do norte do Peru subiram no fim de outubro, enquanto os meteorologistas confirmavam um El Niño costeiro extraordinário até fevereiro de 2027. A temporada vai testar as obras contra cheias projetadas num acordo de governo a governo entre Reino Unido e Peru após o desastre de 2017, que desalojou 1,7 milhão de pessoas.

Vista aérea do rio Piura cheio passando sob as pontes da cidade de Piura durante o El Niño costeiro de 2017
Foto: Ministerio de Defensa del Perú / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

No início de 2017, três meses de chuvas do El Niño costeiro no norte do Peru levaram pontes e estradas, mataram mais de 150 pessoas e desalojaram 1,7 milhão, informou a ENR, citando a Climate Resilience Alliance. O programa de reconstrução ficou parado até junho de 2020, quando o Peru assinou um acordo de governo a governo com o Reino Unido. Um consórcio da Mace Consult, Gleeds e Arup, o UK Delivery Team, assumiu a execução.

A equipe projetou defesas contra cheias para 17 bacias de rios e cinco quebradas em sete cidades, além de seis sistemas de drenagem urbana, um deles em Piura. Acima de Trujillo, o projeto da Quebrada El León, em fase final, usa 35 diques, canais revestidos com tela, bacias de retenção, retentores de sedimentos e túneis para frear o escoamento, que pode chegar a cerca de 50 metros cúbicos por segundo, e levá-lo ao rio Moche. O balanço da ENR mostra três projetos de proteção contra cheias entregues e 13 projetos de rios e quebradas, além de três de drenagem urbana, ainda em andamento. O acordo termina este ano, e a Autoridade Nacional de Infraestrutura do Peru assume o restante.

A água já chegou. A comissão peruana do El Niño, ENFEN, informou em 30 de outubro que o aquecimento costeiro extraordinário vai durar até fevereiro de 2027 e enfraquecer até junho, segundo o Latin Times. Os rios Tumbes, Piura e Chira subiram de repente em 28 e 29 de outubro, e o serviço meteorológico nacional alertou que Piura e Tumbes podem receber mais de 100 milímetros de chuva em novembro. Cerca de 982 distritos estão em estado de emergência.

Edward Parker, diretor associado da Mace Consult, disse à ENR que depois de cada evento as equipes terão de retirar sedimentos dos canais e consertar os trechos danificados. A equipe britânica orientou a autoridade de infraestrutura sobre como fazer essa manutenção.

Por que importa: Segundo Parker, em Trujillo o sedimento e a velocidade com que desce causam mais estrago do que a água. Projetistas e empresas de manutenção devem acompanhar como os retentores de sedimentos e os dissipadores de energia se comportam nesta temporada e quem fica com os contratos de limpeza.

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