Edição
domingo, 1 de novembro
Atualizado
6:02 (Nova York)

Negócios

Empreiteiros temem que data centers absorvam aço e cobre. O que preços e prazos de entrega mostram de fato

Um empreiteiro do Meio-Oeste americano diz que seu fornecedor de aço avisa sobre altas de 50% e esperas de dois a três anos em alguns produtos por causa dos data centers. Dados federais mostram produtos de usinas siderúrgicas 27,6% mais caros e perfis de cobre e latão 30% mais caros no ano até setembro, informou a AGC.

O dono de duas construtoras comerciais no Meio-Oeste publicou o alerta no r/Construction e no r/Contractor em 31 de outubro. Ele também escreveu que seu fornecedor local de material elétrico está quase sem cobre e divide o que tem entre obras de data centers e os demais empreiteiros. São avisos de um único fornecedor. O Hard Hat Report não encontrou dados nacionais que confirmem um racionamento de cobre.

Os números nacionais são menores, mas pesados. Os preços ao produtor dos insumos da construção não residencial nova subiram 11,9% de setembro de 2025 a setembro de 2026, a maior alta em quatro anos, segundo análise da Associated General Contractors of America (AGC) sobre dados do Departamento do Trabalho divulgados em 15 de outubro. Os produtos de usinas siderúrgicas subiram 27,6%, os perfis de cobre e latão 30,0% e os de alumínio 25,2%, e a AGC liga o salto dos metais às tarifas de até 50% impostas em 2025. A sucata de cobre subiu 43,5%, mostram as tabelas da AGC.

O abastecimento é o problema maior. Empreiteiros disseram à AGC que os fabricantes de vigas e outros perfis estruturais têm carteiras de pedidos cheias até a primavera (do hemisfério norte) de 2027, que alguns compradores ouviram que receberiam só uma pequena fração das vigas encomendadas e que outros fornecedores recusam clientes novos. Num seminário on-line em 10 de setembro noticiado pelo Construction Dive, o vice-presidente de cadeia de suprimentos da Skanska, Tom Park, disse que o aço subiu 25% em um ano e que os prazos de entrega mais que dobraram, para 55 semanas. Ele atribuiu isso à demanda de data centers e fábricas de chips e disse que usinas e fabricantes de estruturas trabalham no limite. A alta da madeira serrada ficou entre 0% e 3%, segundo ele.

Os empreiteiros estão engolindo boa parte da diferença. Segundo a AGC, as empresas parecem absorver a maior parte das altas porque a demanda fora dos data centers está fraca, e o índice de preços dos serviços de empreiteiros elétricos em obras não residenciais subiu só 5,4% no mesmo ano. O conselho da AGC é incluir no contrato, na assinatura, uma cláusula de reajuste de preço, como o aditivo ConsensusDocs 200.1, que lista os materiais afetados e move o preço para cima ou para baixo conforme um índice acordado.

Por que importa: Em obras a preço fixo, peça cotações datadas de aço e cobre com prazo de validade, vincule esses itens a um índice numa cláusula de reajuste e emita os pedidos de aço de longo prazo de entrega logo na adjudicação. A AGC relata carteiras das usinas cheias até a primavera (do hemisfério norte) de 2027.

Fontes

Mais em Negócios