Edição
quarta-feira, 28 de outubro
Atualizado
9:06 (Nova York)

Falhas e escândalosKenya

Quênia abre investigação criminal sobre desabamento de prédio em Nairóbi, e engenheiro nega culpa

O diretor da Promotoria Pública do Quênia mandou abrir investigação criminal sobre o desabamento, em 23 de outubro, de um prédio alto em construção no bairro de Eastleigh, em Nairóbi. O engenheiro estrutural apontado pelo órgão regulador diz que só projetou um prédio de 15 andares e não participou da obra.

Em 26 de outubro, o diretor da Promotoria Pública, Renson Ingonga, determinou que a Diretoria de Investigações Criminais apure se atos ou omissões do incorporador, de empreiteiros, de outros profissionais ou de funcionários do condado de Nairóbi levaram ao desabamento na 9th Street. O gabinete dele informou que o condado nunca enviou um inquérito sobre a construção do prédio. A Citizen TV relatou que, em junho, fiscais do condado prenderam 14 pessoas ligadas à obra por infrações à lei de planejamento urbano e que 10 foram soltas sob fiança em dinheiro sem serem acusadas.

Os registros da National Construction Authority (NCA) apontam a 9th Street Plaza Limited como incorporadora e a Stromax Holdings E.A Limited como empreiteira, além de um arquiteto e um engenheiro estrutural registrados. Em carta de seu advogado à autoridade, datada de 24 de outubro, o engenheiro disse que projetou um prédio de 15 andares, nunca recebeu o código de aprovação e não prestou mais serviços, informou a Mjengo Hub. Ele nega qualquer responsabilidade. Constar nos registros não prova culpa, e ninguém foi acusado pelo desabamento.

Harrison Keter, presidente do Engineers Board of Kenya, disse à Citizen TV que o desabamento não foi acidente e que as regras foram ignoradas do projeto e da aprovação até a execução, segundo o The Eastleigh Voice. Ele citou relatos de que o prédio foi aprovado para 15 andares e chegou a 18, e disse que uma mudança assim exige novo cálculo estrutural e nova aprovação. Keter também criticou profissionais que deixam um projeto sem avisar as autoridades. Engenheiros descrevem um colapso em panqueca, com pilares cedendo e lajes caindo umas sobre as outras. O governador Johnson Sakaja disse que o prédio tinha aprovação do condado, mas não tinha certificado de ocupação.

Até 28 de outubro, pelo menos 16 pessoas estavam desaparecidas e as equipes tinham removido cerca de 85% dos escombros, informou o Kenyans.co.ke. Equipes chinesas com equipamentos de detecção localizaram duas pessoas vivas que ainda não tinham sido alcançadas. A maioria dos que estariam soterrados tocava negócios no prédio inacabado. Os investigadores já ouviram funcionários do condado e um dos donos do prédio.

Por que importa: O governador de Nairóbi diz que incorporadores costumam contratar engenheiros só para obter aprovações. Se o seu nome está nos desenhos, defina por escrito o que você vai supervisionar e avise o órgão regulador quando sair da obra: os registros vão citar você.

Fontes

Mais em Falhas e escândalos