Colapso em usina de Ulsan que matou 7 foi causado por corte excessivo de colunas, dizem investigadores coreanos
O Ministério dos Transportes da Coreia do Sul diz que a torre de caldeira de 63,4 metros da termelétrica de Ulsan, que desabou em novembro passado e matou sete trabalhadores, caiu porque as equipes que a preparavam para a demolição com explosivos cortaram as colunas de aço além do que elas suportavam.
A conclusão é de uma comissão de investigação que trabalhou por 11 meses, de 18 de novembro de 2025 a 17 de outubro de 2026, informou na sexta-feira o Ministério de Terras, Infraestrutura e Transportes, segundo o Seoul Economic Daily. A torre da Unidade 5, concluída em julho de 1980, caiu em 6 de novembro durante o pré-enfraquecimento, etapa em que partes de colunas e vigas são cortadas para que a estrutura caia na direção planejada. Nove trabalhadores ficaram soterrados. Sete morreram.
Os limites de corte foram calculados com números errados. As chapas das colunas ficam mais finas em direção ao topo, mas a subcontratada de demolição não recebeu os desenhos as built e mediu uma única coluna no térreo, informou o JKN. Esse valor de 24 mm foi aplicado a todos os andares. Entre 26,2 e 27,2 metros de altura, onde a ruptura começou, a chapa tinha 15 mm. O cálculo também estimou a torre em 3.005,8 toneladas, contra 3.525,8 reais, cerca de 520 toneladas a menos, e não deixou margem para flambagem local nem para danos causados pela idade e pelos cortes. A revisão apontava cargas de 95% da resistência de projeto. O recálculo da comissão chegou a 120% no ponto do colapso. A subcontratada disse à comissão que não mediu mais acima porque a subida era perigosa. Os investigadores não encontraram indícios de que as equipes cortaram mais do que o plano previa.
A fiscalização também falhou, segundo a comissão. A construtora principal, HJ Shipbuilding & Construction, confiou no julgamento da empresa especializada e não conferiu se os desenhos de execução batiam com a obra. A dona da usina, Korea East-West Power, supervisionou o serviço por conta própria, sem um gerenciador de obra separado.
A comissão recomendou levantamentos de campo mais rigorosos antes de demolições, normas técnicas para demolição, controle mais estrito de obras de alto risco e mais responsabilidades para os contratantes. O relatório final será entregue ao ministério em novembro. O ministério pretende exigir que especialistas estruturais independentes verifiquem demolições de alto risco, informou o JKN, e vai repassar as conclusões aos órgãos responsáveis por sanções e investigações legais.
Por que importa: Uma única medição de espessura no térreo e um peso 520 toneladas abaixo do real transformaram uma verificação de 95% em 120%. Em qualquer pré-enfraquecimento, obtenha os desenhos as built, meça os elementos em cada altura onde vai cortar e peça que alguém de fora da subcontratada de demolição confira os cálculos.
Fontes
- Excessive cutting of support columns blamed for deadly Ulsan power plant collapseThe Korea Times, 29 de out.
- Over-Cut Columns Caused Ulsan Power Plant Collapse That Killed 7Seoul Economic Daily, 30 de out.
- Ulsan Thermal Power Plant boiler tower collapse: Failure across blueprints, field measurements, and structural reviewJKN, 30 de out.