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Contrato vazado do Bomas mostra salto do centro de convenções do Quênia de 31,7 bi para 45,1 bi de xelins

O jornal queniano The Standard obteve o contrato de 390 páginas do Bomas International Convention Complex, em Nairóbi, que o Parlamento tentou ver durante meses. O acordo com a China Road and Bridge Corporation vale cerca de 41,9 bilhões de xelins, num projeto agora orçado em 45,1 bilhões, ante os 31,7 bilhões aprovados pelo gabinete em 2023.

O Ministério da Defesa, que conduziu a compra e guarda o contrato, se recusava a apresentar o documento, alegando segurança nacional e sigilo comercial, informou o Money254. A ministra do Turismo, Rebecca Miano, cuja pasta será dona do centro, disse aos senadores que precisaria que a Defesa lhe entregasse uma cópia. A CRBC assinou em março de 2025 por cerca de 41,9 bilhões de xelins, aproximadamente US$ 324 milhões.

A maior parte das críticas recai sobre 2,57 bilhões de xelins em “somas adicionais” (add sums), calculadas como percentual e sem ligação com quantidades medidas de concreto, aço ou mão de obra. Segundo o 254 News, elas incluem uma taxa de projeto de 3% (856,8 milhões de xelins), uma verba de segurança de 1% (285,6 milhões) e uma verba provisória de 5% (1,42 bilhão). O contrato traz ainda 4,97 bilhões fixos para impostos de importação sem avaliação aduaneira que os sustente, 3,56 bilhões para o acabamento de uma área presidencial e 2,76 bilhões para iluminação de fachada, segundo o Money254.

Stephen Mutoro, secretário-geral da entidade de defesa do consumidor COFEK, divulgou os números, repetiu a descrição das somas adicionais como uma “verba para corrupção” e marcou a Comissão de Ética e Anticorrupção na publicação. A caracterização é dele; nenhuma irregularidade foi constatada. O Auditor-Geral já havia apontado que a contratação direta foi aprovada em 17 de fevereiro de 2025, quando uma licitação competitiva ainda estava em andamento.

As obras estavam cerca de 38% concluídas em meados de 2026 e o prazo foi estendido, informou o 254 News. Comissões do Senado continuam pedindo os registros de pagamento, as ordens de alteração e as planilhas de quantitativos.

Por que importa: Acréscimos percentuais sem quantitativos por trás e um contrato escondido da fiscalização são as primeiras coisas que auditores e parlamentares desmontam. Quem orça obra pública deve conseguir justificar cada verba provisória e cada taxa.

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